Bruxas

Hoje, não se pode mais ignorar a ambiguidade da figura das bruxas no inconsciente coletivo. Por um lado, abundam histórias de bruxas como mulheres feias, poderosas e que prejudicam a vida dos protagonistas. Por outro, convivendo com essas, há histórias mais recentes que apresentam versões mais positivas desta personagem, muitas vezes com bruxas mais jovens, bonitas e de bom coração.

significado do símbolo bruxas

Também existe mais divulgação sobre o tipo de pessoa que foi queimada pela Inquisição: em sua maioria, camponesas muito pobres bastante respeitadas por seus conhecimentos do que hoje se costuma chamar de “uma medicina alternativa”, praticada à base de poderes curativos de plantas, o que faz com que muitos questionem o tradicional significado da bruxa como a megera. Existem até mesmo praticantes de bruxaria na realidade, cujo objetivo é canalizar as forças da natureza para fazer o bem a si e a outros.

Quer saber mais sobre o simbolismo das bruxas? Então, continue a leitura!

Simbologia das bruxas

Como já se disse antes, atualmente, duas versões antagônicas convivem no imaginário popular –  é comum que a mesma pessoa que goste de histórias como Branca de Neve, Bela Adormecida, João e Maria e Rapunzel também tenha o desejo de se tornar um bruxo, como acontece com os fãs de Harry Potter, e que filmes e séries substituam a imagem da bruxa clássica por outras releituras.

Assim, o símbolo das bruxas traz estes dois significados:

  • uma pessoa repulsiva com muitos poderes para destruir alguém e atingir seus objetivos – uma canibal metafórica ou literal, praticante da chamada magia negra.
  • uma pessoa, velha ou nova, muito ligada à natureza, conhecedora de elementos como plantas, pedras, cristais, astros celestes etc., e que usa seus conhecimentos ou poderes apenas para ajudar a si ou a outras pessoas, praticando a chamada magia branca.

História das bruxas

Não se pode precisar quando ou onde aconteceu a origem das bruxas. O que se sabe é que, desde que vivia em cavernas e começou a acreditar em deuses, o homem criou e se utilizou de diferentes rituais para propiciá-los a fim de que as caçadas dessem certo, as colheitas fossem abundantes, os filhos viessem e as doenças se curassem. Eram tempos em que os homens não tinham nenhum domínio da natureza, portanto suas chances de sobrevivência eram mínimas, com muito mais fatores agindo contra eles do que a favor.

Quando os clãs e famílias foram se dividindo, surgiram os que se dedicavam especificamente às religiões (sacerdotes), e, dentre esses, os que supostamente conheciam os poderes dos elementos da natureza, se comunicavam com os mortos e podiam fazer qualquer coisa, pois eram considerados intérpretes dos deuses. Paralelamente a isso, as mulheres, que já conheciam as propriedades de cura e de morte das plantas, utilizavam-nas em si, na família e nos vizinhos, e passavam esse conhecimento de geração em geração. Em muitos casos, esses sacerdotes e benzedeiras eram os guardiões de todo o repertório cultural de seu povo.

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Ao conquistar a Europa, o cristianismo foi combatendo essas culturas tradicionais. As bruxas passaram a ser hereges por interferirem na chamada “vontade de Deus” ou se utilizarem de conhecimentos diferentes dos padres para curar. Mas, ao contrário do que se pensa, durante muito tempo, houve convivência tolerante entre a Igreja e as bruxas – os padres desaconselhavam os fiéis de recorrerem a essa sabedoria ancestral, mas demorou muito para que a ideia de queimá-las adquirisse popularidade.

Historiadores chegaram mais recentemente à conclusão de que isso não se deu exatamente no período medieval (séculos V a XV), mas sim durante o Renascimento, nos séculos XV a XVII, quando aconteceu no cristianismo o cisma que deu origem à Igreja Protestante, que mergulhou o continente numa era de intensa perseguição religiosa. Esta foi uma das razões para a imigração em massa de irlandeses protestantes para os Estados Unidos nos séculos XVI e XVII, onde também houve caça e execução de bruxas em cidades como Salém.

Mas a bruxaria nunca desapareceu totalmente: ao longo do século XX, ela foi resgatada junto com várias outras formas de neopaganismo. Hoje, a Wicca é a mais famosa corrente de bruxaria moderna, surgiu com Gardner nos anos 1950, mas está longe de ser a única. Apesar de ainda haver quem utilize a magia para o mal, há mais divulgação de quem busca ajudar os outros através de canais como redes sociais e Youtube, diminuindo o preconceito.

Dia das Bruxas (Halloween)

Ao contrário do que se costuma imaginar, o Dia das Bruxas não surgiu nos Estados Unidos. Foi criação do povo celta, que habitava principalmente a Irlanda, como forma de comemorar o fim das colheitas, que era um período de fartura que coincidia com o fim do verão, portanto com o fim do ano para eles. Período perfeito para celebrar os mortos, e depois a renovação, que vinha com um novo ano. Era uma festa alegre, pois acreditava-se que os mortos viviam num mundo perfeito. As bruxas tinham a missão de se comunicar com eles e com os deuses da morte. Grandes fogueiras eram acesas para guiar os espíritos, que nesse dia vinham visitar seus parentes vivos.

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Com o tempo e a substituição de culturas pagãs pela cristã ao longo da Europa, a festa adquiriu um caráter mais lúgubre e pessimista. A Igreja colocou esta festa na véspera do Dia de Todos os Santos (1º de novembro) e Dia de Finados (2 de novembro) como uma estratégia para eliminar suas características pré-cristãs. Pode ter surgido nessa época o costume de das fantasias de esqueletos, fantasmas, vampiros etc., para que os mortos não reconhecessem pessoas ainda vivas, pois agora se acreditava que eles voltavam para levá-las para o além.

Foram os irlandeses os principais responsáveis por levarem o Halloween aos Estados Unidos, onde, ao longo de décadas, foi adquirindo esse caráter lúdico que se espalhou pelo mundo, chegando até o Brasil, através de filmes e séries. Eles criaram coisas como o dito “gostosuras ou travessuras?” (mas não o costume de pedir comida e pregar peças, que já existia originalmente) e as famosas lanternas feitas de abóboras (na Irlanda, elas eram feitas com nabo, e tiveram origem na história de um homem que sempre carregava uma lanterna de noite, e que, depois da morte, como não foi aceito nem no céu nem no inferno, continuava vagando pelo mundo dos vivos com ela).

Objetos das bruxas

  • Caldeirão: é um dos símbolos mais marcantes dentro da simbologia da bruxa, pois é onde as substâncias são misturadas para criação de poções e feitiços. Seu formato lembra um útero humano. Portanto, simboliza a fertilidade e a criatividade.
  • Varinha: serve para canalizar toda a energia da pessoa e direcioná-la para o fim que se pretende. Originalmente, é um galho de árvore.
  • Vassoura: ninguém sabe direito quando nem como surgiu a vassoura voadora. Mas o fato é que se atribui a este objeto, além da limpeza física da casa, a limpeza também das energias negativas do ambiente (quando usada com este objetivo, ela deve ficar atrás da porta, sem encostar as cerdas no chão). E, como a bruxa monta nela para voar, ela pode também ser um símbolo de energia masculina, por seu formato fálico.
  • Chapéu pontudo: algumas modernas correntes de bruxaria defendem que ele é uma antena para captar energias acima da cabeça da bruxa, que podem fortalecer seus poderes na hora dos feitiços.
  • Cores escuras: tradicionalmente as bruxas usam principalmente o preto, para representar o mistério e a morte (e, assim, o renascimento e a vida).
  • Vela: instrumento que tanto representa a alma como serve para se comunicar com as almas dos mortos ou guiá-las para seu caminho.
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Animais das bruxas

  • Gato preto: é o principal “companheiro” de uma bruxa – crenças antigas davam conta de que bruxas podiam se transformar em gatos pretos, e que almas dos mortos podiam entrar neles. Hoje, admite-se apenas que são animais muito misteriosos, e que gatos no geral têm o poder de neutralizar energias negativas no ambiente.
  • Sapo: é o principal “ingrediente” de poções mágicas e feitiços. Por causa disso, costuma ser associado à morte e à magia negra, mas também a simpatias.
  • Borboleta preta/mariposa: acredita-se que a borboleta ou mariposa preta são formas que as bruxas assumem, principalmente para sugar o sangue de crianças que ainda não foram batizadas. Se assim atacadas, elas morrem e depois de um tempo voltam também como mariposas ou borboletas pretas.
  • Morcego/vampiro: também são associados à morte.

Tatuagem de bruxa

A concepção positiva das bruxas é o que predomina na hora de se fazer uma tatuagem. Normalmente quem tem uma dessas são mulheres jovens que tatuam personagens carismáticas de filmes e séries (algumas poucas tatuam bruxas velhas genéricas) ou símbolos que as lembrem. Elas querem fazer referência ao poder feminino, sensualidade, ligação com a natureza e até rebeldia.

Sonhar com bruxa

Pode ser positivo ou negativo, dependendo do contexto do sonho. Se ela estiver te fazendo mal, a bruxa simboliza que alguém está te prejudicando sem você perceber. Ela também pode representar aspectos seus com os quais você não lida bem mas que precisa conhecer melhor, como a maneira como você lida com o feminino na sua vida (tanto homem como mulher) ou uma mãe devoradora da qual você ainda precisa se livrar.

Mas, se o desejo dela é te ajudar, ela pode estar apontando para algum potencial ou energia seu que você ainda nem sabe que existe, ou não está sabendo como usar. Em outras palavras, essa bruxa mostra um caminho para você desenvolver mais a sua criatividade, principalmente para resolver problemas.