Céu

O símbolo do céu tem especial importância para religiões e mitologias: além de ser uma base teórica fundamental de muitas das primeiras, forneceu muitos dos elementos das segundas, nas figuras formadas principalmente por suas constelações, tornando-se um guarda-chuva para todo tipo de significação mística, e mesmo de projeção psíquica.

Para além disso, existe também o céu desbravado e estudado por cientistas, tema aliás de uma das principais perguntas que as crianças fazem aos adultos: afinal, por que o céu é azul? E como são os mapas que são representações do céu?

Quer saber mais sobre o significado do céu? Então, continue lendo!

Simbologia do céu

O céu na religião e na mitologia costuma representar principalmente o máximo da elevação a que o ser humano pode aspirar chegar. Mesmo quando muitas crenças o consideram inacessível a nós, isso pode ser dito de forma simbólica: o quanto o ser humano pode melhorar como pessoa, tornando-se superior, embora não perfeito, e assim merecedor de dádivas divinas ou de conhecer certas verdades por seus próprios esforços. Portanto, o céu pode também ser um símbolo da perfeição, ou do desejo de.

Além disso, devido às trajetórias de planetas e estrelas, que podem ser matematicamente  previstas, o céu também é um símbolo do cosmos, da ordem na natureza, e, sendo assim, seria evidência de que existe uma Inteligência Superior que teria criado esses corpos, suas forças e maneiras bem organizadas de agirem entre si, sensação que contraria o caos muitas vezes presente na vida, principalmente por dizer que cada vida e cada acontecimento tem, sim, um significado, ainda que não seja possível entendê-lo de imediato.

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Segundo o psiquiatra suíço Carl Jung, que procurou estudar todo o tipo de criações culturais místicas, como a astrologia, quem enxerga figuras no céu e atribui significado a elas pode estar projetando nisso suas próprias necessidades psíquicas inconscientes, o que abre caminho para que o céu também seja considerado um mapa da alma humana.

Em muitas mitologias, o mundo surgiu quando o firmamento foi criado ou definido em relação ao caos/trevas de então, e a criação da vida aconteceu no casamento/união sexual entre o céu e a terra. O céu seria o princípio masculino, ativo, porque as águas da chuva penetram a terra (o feminino, o passivo) para fecundá-la.

Na filosofia chinesa, eles seriam, respectivamente, o yin e o yang, princípios opostos inerentes a absolutamente todos os aspectos da vida. Já no Antigo Egito, o céu era visto como o princípio feminino, e a terra é que seria o masculino. Dessa união, nasceu Rá, o deus-Sol, além de todas as outras formas de vida.

No cristianismo, o céu é a morada de Deus e seus anjos (e o catolicismo inclui os santos), além de ser o destino paradisíaco dos mortos considerados justos, por suas obras e por acreditarem que Jesus Cristo morreu para salvar a humanidade dos seus pecados, em oposição ao inferno, que está nas profundezas da terra e recebe os maus. Assim, os fiéis muitas vezes olham para cima para rezar – lembrar da principal oração cristã, “Pai Nosso que estais no céu”.

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Em crenças como o islamismo, religiões tradicionais da China e espiritismo kardecista, diz-se que cada um tem um céu interno dentro de si, e o objetivo é evoluir como pessoa para que possa perceber isso, essa ligação particular com o cosmos.

No budismo, o céu é dividido em várias camadas, o que também é uma ideia comum entre religiões. Nesta crença, o espírito de alguém que acumulou um bom karma durante a vida pode ficar numa dessas divisões por um tempo, mas depois reencarnará na forma de outra vida – este céu não é exatamente uma hierarquia linear. Isso vai acontecendo até a pessoa conseguir romper com o ciclo de nascimentos, pois esse céu faz parte do mundo ilusório, que é o mundo físico.

Já no hinduísmo, existe o Svarga, onde ficam as almas boas, mas que ainda não alcançaram o Moksha, união com o deus Brahma.

Por que o céu é azul?

A explicação está nos fenômenos físicos da refração e da dispersão da luz, que acontecem com as ondas, ou seja, com a luz e com o som. Uma vez que a luz do Sol é branca, ela contém em si todas as cores que podem ser vistas no arco-íris.

Quando ela chega à Terra, sofre uma refração, ou seja, alteração na velocidade por causa da mudança de meio (do vácuo do universo para a atmosfera terrestre), e em seguida acontece a dispersão da luz: o feixe luminoso bate nas partículas de gases da atmosfera, e as ondas de comprimento mais curto acabam sendo refletidas primeiro e de forma mais eficiente – essas cores são o azul e o violeta.

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Ondas de comprimento mais longo, como laranja e vermelho, são transmitidas com mais atraso – por isso é mais comum vê-las no pôr-do-Sol, quando este está se afastando da parte da Terra que iluminara até então.

Representações do céu

Mitologicamente, o céu é muito representado como uma abóbada, uma taça emborcada, cúpula, pomba, pálio, redoma ou até a parte de cima de um ovo.

Já para a astronomia, são importantes as cartas celestes, que são como os mapas do planeta Terra para localização de territórios. No caso desses mapas do céu, a intenção é determinar a posição de determinados objetos em dia, horário e lugar específicos, principalmente de estrelas, que são mais fixas em relação a planetas e satélites, cuja movimentação é mais constante. Esses mapas também são divididos em longitudes e latitudes e em polos norte e sul.

Hoje existe um programa de computador que ajuda a criar essas cartas instantaneamente: o Stellarium.