Sereia

As sereias, ou sirenas, começaram com características muito diferentes das que são enfatizadas hoje, principalmente em desenhos infantis e no movimento do sereísmo: jovens belas, de longos cabelos, vaidosas e sensuais, com a cauda de peixe, benignas aos humanos e preocupadas com a preservação da vida marinha.

símbolo sereia

As histórias sobre elas confundem-se com as de outros seres marítimos, nas mais diversas culturas e períodos históricos, o que leva a história delas a começar na Mesopotâmia, localizada no atual Oriente Médio e considerada a mais antiga das civilizações históricas, ou seja, que deixou documentos escritos que chegaram até nós.

Quer saber mais sobre toda a complexa e fascinante simbologia da sereia? Então, continue lendo!

Sereia antes dos gregos

Os mesopotâmios nos deram a primeira imagem de um ser humano que era metade homem metade peixe: o deus Oannes ou Hea/Ea, criador do mundo e da humanidade, e depois seu civilizador – além da cauda de peixe, ele tinha uma cabeça de peixe, em cima da cabeça humana, e pés humanos. Segundo a lenda, ele passava o dia com os homens, voltando à noite para o mar, e assim ensinou a eles agricultura, escrita, ciências, artes, leis etc. Nesta mesma mitologia, a deusa-mãe Ishtar/Istar também tem uma cauda de peixe.

Outra deusa-mãe importante é a assíria Atargatis, também com cauda de peixe e pés humanos, que primava por proteger seu povo. Esta é a mesma ideia de deusas-mães africanas como Mami Wata e outras divindades que deram origem a Iemanjá e Oxum, figuras importantes no candomblé e umbanda brasileiros (embora as sereias sejam vistas como entidades subordinadas a Iemanjá). Estas divindades podem ser muito maternais com seus filhos humanos, mas, se ofendidas, não hesitarão em se vingar de formas muito cruéis. Ou seja, simplesmente não podem ser classificadas como boas ou más.

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Ou seja, um primeiro passo na história das sereias são estes seres marítimos que trazem o conhecimento ou protegem seu povo como mães.

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Sereia na Grécia Antiga

É neste povo que elas começam a ser vistas como monstros. Também foi esta cultura que nos legou a primeira história em que isso acontece: as sereias na Odisseia, quando tentam seduzir Ulisses e seus companheiros com seu canto para que percam o rumo do navio, ele afunde e eles morram devorados por elas.

No entanto, as sereias que participaram deste episódio não são híbridas de peixe: seu corpo é metade humano e metade ave de rapina, semelhante à harpia, associada com a morte. Estas são chamadas de sirenas, reservando-se o termo sereia às que têm cauda de peixe. Conta-se que elas são almas penadas, e que têm grande luxúria, porém, como o corpo de ave ou de peixe torna-se um impedimento para os prazeres sexuais, elas substituíram a satisfação erótica por outro prazer: matar pessoas que vivem do mar, principalmente pescadores e marinheiros.

Com isso, a sereia simboliza os perigos do mar, num contexto em que muitos que iam não voltavam nunca mais.

Sereia na Idade Média

É provável que a visão grega tenha influenciado a visão medieval igualmente negativa a respeito desses seres. Ao se apropriar da simbologia da sereia, a Igreja Católica descreveu-a como uma representação da tentação do pecado, censurando nos homens a luxúria, que os corrompe e os destrói, e nas mulheres a vaidade, que alimentaria essa luxúria.

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Além disso, misturaram-se influências de outras criaturas aquáticas gregas e de outras culturas pagãs para ir surgindo a figura da sereia que temos hoje – a ênfase definitiva na sereia com cauda de peixe veio das culturas nórdica e germânica. É dessas culturas também a ideia de que a sereia nem sempre é má, às vezes pode ajudar quem lhe fez um favor, ou até casar-se com o mortal.

No Brasil, a Iara ou Mãe-d´água é uma grande herdeira da sereia medieval, trazida pelos colonizadores europeus. Habitante do Rio Amazonas, usa seu canto e sua beleza para atrair homens para o fundo do mar, fazendo-os morrer afogados. Quem contempla a beleza do seu rosto pode ficar cego, mudo ou virar pedra.

Isto acrescenta ao simbolismo da sereia a ideia de paixão louca por uma ilusão, que pode levar à autodestruição.

Sereia atualmente

É possível começar este tópico falando da Pequena Sereia, criada pela Disney, cujo primeiro longa saiu em 1989, e que é a primeira imagem a que muitos recorrem quando se fala em sereia. Mas é interessante lembrar que a animação foi baseada no conto de mesmo nome do dinamarquês Hans Christian Andersen, no século XIX, que já pode ser visto como uma inversão da história tradicional: é a sereia que se apaixona pelo humano, perde seu canto para ir ao mundo dele, deve seduzi-lo e, como não consegue, morre. O desenho, óbvio, mudou esse final.

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Mas o começo do movimento que desembocaria no sereísmo veio em 2011, quando marcas de maquiagem lançaram coleções inspiradas no símbolo da sereia – logo surgiram comunidades em redes sociais, principalmente Instagram, que compartilhavam representações de sereias, o que transformou o sereísmo num estilo de vida. Ser sereia ou tritão, para os homens, virou um negócio lucrativo, e estas pessoas hoje nadam em aquários, participam de eventos corporativos e infantis, dão aulas mais sofisticadas de natação ou vendem roupas, maquiagens, objetos decorativos, livros etc. Algumas delas também chamam a atenção para a preservação da vida marítima.

Tattoo de sereia

Tanto homens como mulheres fazem tatuagem de sereia, embora ela seja mais comum nos homens. Quando eles fazem, associam a estes seres ideias de liberdade total, por nadarem livres nos sete mares, e sensualidade feminina. Na cadeia, costuma significar que o tatuado está preso por crime sexual.

Para as mulheres, ela também transmite a ideia de liberdade, por domar e não se deixar ser dominada. Também pode ser associada à leveza, feminilidade e maternidade.