Biblioteca

A etimologia da biblioteca já a define: a palavra vem do grego, bibliothéke, com biblio = livros e théke = lugar. Portanto, pode-se dizer que uma biblioteca tende a concentrar, num só espaço, saberes ancestrais juntamente com descobertas mais atualizadas, teoricamente servindo de suporte a avanços no conhecimento de uma sociedade ou até da humanidade.

Mas, a biblioteca de hoje não armazena só livros. Este termo também pode remeter à reunião organizada de informações em outros formatos, como “biblioteca de sons” ou “biblioteca de símbolos”. E até na tradição oral ela pode existir, pois o griot, contador de histórias africano ambulante, devido ao seu rico repertório, também é considerado uma “biblioteca viva”.  

significado do símbolo biblioteca

Tudo isto aponta para o fato de que hoje a biblioteca é um lugar de consulta de informações em qualquer suporte ou linguagem, e, como precisa servir a muito mais pessoas, com a rapidez exigida pela tecnologia, sua importância, ao contrário do que se poderia supor, ficou maior do que em qualquer outro momento da sua história.

Quer saber mais sobre o simbolismo da biblioteca? Então, continue lendo!

Simbologia da biblioteca

Por tradicionalmente reunir grande quantidade e variedade de livros num mesmo lugar, tornando-os acessíveis a quem precisa deles, o símbolo da biblioteca é associado ao conhecimento, à sabedoria.

Em várias histórias clássicas, são comuns expedientes como representar o sábio que serve de mentor ao herói como um velho mago rodeado de grossos livros, bruxas consultando seus manuais para criar suas poções ou fazer feitiços ou, em histórias de assombração, é muito comum haver o momento em que as vítimas vão à biblioteca da cidade para saber mais sobre certa assombração, e assim se armarem contra ela.

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Esta frase resume bem tudo isso: “No Egito, as bibliotecas eram chamadas ‘tesouro dos remédios da alma’. De fato, é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras” (Jacques Bousset, teólogo francês do século XVII).

Apesar de tudo isso, no entanto, a biblioteca simboliza também o seu contrário: o saber acessível somente a uns poucos iniciados, visto como em grande parte da história da humanidade a imensa maioria das pessoas, nas mais diferentes populações, era analfabeta, portanto incapaz de absorver o conteúdo de um livro por si mesma. Hoje, apesar do aumento no número dos que sabem ler, em muitos locais a maioria se mantém afastada dos livros, por não terem sido incentivados a descobrirem o prazer da leitura, uma das preocupações prioritárias dos educadores de hoje.

Para melhor compreender isso, vamos falar um pouco sobre a origem da biblioteca, sua história e funções atualmente.

História da biblioteca

É muito difícil precisar onde começou a se colocar em prática a ideia de agrupar os registros escritos para evitar que eles se perdessem, sobretudo se fossem do mesmo assunto, e assim ficassem fáceis de consultar quando fosse necessário.

Durante a Antiguidade, existiram bibliotecas na China, Índia, Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma etc. Aliás, o radical grego para “biblioteca”, “biblos”, vem da cidade fenícia Biblos, que era a que fornecia papiro para os gregos, antes de estes inventarem o pergaminho. As mais famosas bibliotecas da Antiguidade foram as de Alexandria, no Egito, e a de Bagdá, no atual Iraque, que foram incendiadas por povos invasores em diferentes momentos.

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A Idade Média ganhou fama pela Inquisição que, além de queimar pessoas, censurou e, mais tarde, destruiu também exemplares de livros proibidos pela Igreja Católica, incluídos no seu Índex de livros proibidos. No entanto, o papel da instituição na verdade foi mais complexo do que isso: ao mesmo tempo em que os aniquilou, seus conventos e mosteiros também ajudaram a preservar algumas dessas obras proibidas ou mesmo raras – as bibliotecas nesse momento serviram para proteger o conhecimento escondendo-o, não para difundi-lo às massas, como salienta Umberto Eco.

Isso era possível porque os livros ficavam confinados às bibliotecas, às quais só tinham acesso os letrados, cuja maioria era religiosa. Nessa época, a produção de livros era muito trabalhosa: eram copiados e ilustrados à mão, um a um. A impressão de livros só foi se tornando mais rápida e barata a partir de duas invenções originalmente dos chineses: o papel, adotado pelos ocidentais, e a imprensa, inventada por Gutenberg, sem que ele tomasse contato com a que já existia na China. Mas os níveis de analfabetismo mundial demoraram muito a cair significativamente: em países como Inglaterra e França, a partir do século XIX; em outros, só a partir do século XX.

Com a revolução tecnológica dos séculos XX e XXI, o significado da biblioteca se alterou muito: para começar, esta palavra não serve mais para designar um ambiente que guarda só livros: ela pode ter, em seu acervo, além de outros impressos como jornais e revistas, CDs, filmes, além de computadores com Internet, que ampliam o espaço de consulta e pesquisa ao tornarem acessíveis rapidamente ao usuário materiais em outras bibliotecas e sites de periódicos, por exemplo.

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Isso muda o papel de uma biblioteca dentro das sociedades contemporâneas: hoje, ela tem o dever de tornar atraentes os conteúdos que organiza, para que mais gente queira frequentá-la, e não apenas para pesquisar ou estudar, mas também como forma de lazer.

Dentro desta nova proposta de oferecer vários serviços a todo tipo de público para mostrar o prazer e os benefícios da leitura, a combinação biblioteca e literatura é a que mais se destaca, pois a porta de entrada de muita gente para o mundo dos livros é por meio das histórias e pensamentos dos seus escritores favoritos. Sendo assim, é cada vez mais comum que as bibliotecas ofereçam eventos como contação de histórias, rodas de leitura e discussão de livros, encontro com autores, lançamento de livros etc.