Berço

O berço costuma ser uma das primeiras coisas em que as pessoas pensam quando um bebê está a caminho, não é? Não é para menos, afinal é o lugar onde a criancinha passará provavelmente a maior parte do seu tempo, portanto precisa ser confortável e seguro o bastante e, por que não, bonito, para também ser uma fonte de distração para seu dono e para quem olha?

A simbologia do berço, apesar de não envolver tanto de mitologia, engloba sentidos que se referem à proteção do ser humano na sua condição mais frágil. Isso se reflete nos berços produzidos ao longo da história, e até mesmo hoje, quando a tendência é a produção de berços inteligentes para facilitar a rotina dos pais.

Quer saber mais sobre o significado de berço? Então, continue lendo!

Etimologia da palavra berço  

Esta palavra vem do gaulês berta, que pelo latim virou bertium, que significa “sacudir com força” – esta segunda é a parte mais conhecida da sua etimologia.

Há ainda outro possível caminho: a raiz gaulesa seria bertiu, “armação de madeira em forma de berço”, que pelo francês virou berceau, “cama de criança”.

Além disso, na maioria das línguas, “berço” também pode significar “lugar de origem, surgimento, o início, a aurora, a luz”, seja de uma pessoa, uma ideia, estilo de vida ou de arte etc.

Símbolo do berço

Como se viu, desde sua origem mais aceita esta palavra já está relacionada ao principal significado em que é utilizada: servir de aconchego a um bebê. Não à toa, sua forma é de um útero, ainda que seu sentido esteja mais relacionado ao lugar onde o bebê fica após sua saída desse órgão, ou seja, após o parto – isto é o que significa universalmente o símbolo do berço, por isso que ele é tido em tão alta conta.

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Aliás, com este significado, ele também pode ser relacionado à simbologia do barco, e a história que melhor demonstra isso é a de Moisés, que foi salvo da morte porque sua mãe o colocou num cesto que, boiando no rio, fez com que ele chegasse à filha do faraó.

O barco também nos fala em manter algo ou alguém protegido enquanto viaja em meio a águas movimentadas, e soma-se a isso o fato de que a água, em sua própria simbologia, também é relacionada com vida e morte, por ser necessária ao princípio da vida, tanto para fazer germinar uma semente quanto para ser o meio condutor dela. Aliás, berço também pode simbolizar viagem em algumas culturas.

História do berço 

Os primeiros registros de berços que chegaram a nós datam do Império Egípcio – contudo, este era um privilégio das crianças ricas, principalmente de filhos dos faraós, cujos berços podiam ser feitos de madeiras nobres importadas como o ébano e o cedro.

Aliás, esta é uma constante ao longo de toda a história: filhos de pobres ou não terão berços, ou os terão mais simples. Vêm daí as ideias de “ter berço” ou “nascer em berço de ouro”, que querem dizer que alguém “nasceu em família nobre ou rica, e por isso teve uma educação requintada” – ou, outro uso muito generalizado atualmente que parte dessa ideia, apenas “que teve boa criação por parte dos pais”.

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Aqui nas Américas, por exemplo, os berços normalmente podiam ser de madeira, casca de árvore, fibras vegetais, peles ou de qualquer outro material, dependendo de onde o povo habitasse e o que conseguisse obter.

Os berços mais próximos dos que conhecemos hoje surgiram na Europa do século XVII, ainda feitos à mão em madeiras importadas e ainda para filhos de ricos, nobres e/ou da família real – como eram feitos de materiais duráveis, era comum que esses berços passassem de geração a geração.

Dentro dessa tradição, destacam-se o que foi criado para o príncipe português D. Carlos, filho de D. Luís e D. Maria Pia, em formato ovalar, que data da segunda metade do século XVII, e o que Napoleão Bonaparte mandou fazer para seu único filho considerado legítimo, no século XIX – ambos foram decorados com insígnias dos reinos que seus pais lhes reservavam. Enquanto isso, os filhos de pobres normalmente usavam como berços cestos feitos de madeira adaptados para crianças.

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A partir do século XIX, por recomendação de muitos médicos, os berços passaram a ser feitos em metal, e mantiveram as crianças mais distantes do chão. No entanto, eles eram pintados de branco com tinta à base de chumbo, e não raras vezes seus donos comiam essa tinta lascada.

Berços contemporâneos

Apesar de não dispensarem a beleza, os berços produzidos hoje valorizam principalmente a segurança do bebê. Devem ser seguidas normas universais para que ele não consiga escalar as paredes e sair. Outro acessório indefectível dos berços contemporâneos são os móbiles, musicais e coloridos, para distrair a criança e estimular sua inteligência.

Destacam-se, além dos berços portáteis, feitos de plástico e malha, criados para viagens, os inteligentes, como o Smartnanny, Snoo e o Smart Baby Crib, que prometem, cada um a seu modo, embalar e acalmar a criança quando ela acorda antes da hora, para que os pais não precisem fazer isso o tempo todo, e possam ter algumas horas de sono ininterrupto.